Javascript também será linguagem de automação oficial do OS X Yosemite

Quem sabe programar em Javascript terá meio caminho andado para criar pequenos apps e automatizar tarefas no OS X Yosemite.

Quando fez o anúncio do OS X Yosemite (que está chegando...), a Apple também informou que ele terá suporte mais amplo a usar o Javascript como linguagem de automação, para as finalidades que hoje geralmente conduzem ao uso do Applescript.

Não será a única linguagem de script disponível (faz tempo que o OS X vem com PHP, Perl, Python, ...), mas terá um nível de integração diferenciado.

O Javascript será nativamente suportado pela Apple para interagir com o seu ambiente desktop. Isso significa que o programador só precisa incluir um ObjC.import("Cocoa"); no seu script, e aí poderá ter acesso às classes que permitem definir e manipular janelas, botões, campos de preenchimento, envio e recebimento de eventos, interação com dispositivos e com outros apps, etc.

Isso pode ser feito no Editor de Scripts que já acompanha o sistema (é o do Applescript), aparentemente dispensando até a instalação do XCode. Mas não tenho dúvida de que já deve ter alguém inteligentemente desenvolvendo uma IDE para facilitar esse desenvolvimento, até porque fazer uso do Cocoa por meio de mera digitação de código em forma de texto não está entre as formas mais simples de definir e controlar interfaces.

Eu sou fã do Applescript, mas a curva de aprendizado não foi suave, porque a sintaxe dele, fácil de ler, tem várias pegadinhas para escrever. E não domino Javascript, o que significa que não estarei entre os que logo farão uso da novidade.

Mas acredito que veremos surgir um volume de novas aplicações à disposição, graças à quantidade de desenvolvedores web que já usam Mac e terão à mão, no momento em que surgir a ideia, todos os requisitos para desenvolver desde pequenos utilitários até aplicativos complexos usando a linguagem que já conhecem, e um toolkit nativo, com suporte oficial.

Bem-vindo, Javascript para automação do OS X.

E se você é desenvolvedor e deseja já ir se ambientando, além do material oficial, recomendo essa coleção de exemplos e este longo tutorial de construção de um app simples (o da janela acima) usando só Javascript, o editor de scripts e muita digitação ;-)

Como instalar o beta do OS X Yosemite em uma partição separada do seu Mac

Testar versão beta de sistema operacional tem seus riscos, mas eles são menores quando a instalação é separada do seu ambiente de produção.

A disponibilização de um beta público do OS X Yosemite é um fato raro no opaco histórico da Apple mas, se você não tem um Mac a mais para testá-lo, pode ser melhor instalá-lo em uma partição separada, reduzindo o risco de algum problema na versão beta (que serve justamente para encontrá-los) prejudicar o seu uso do computador.

Com o uso da partição separada, você pode escolher, no momento de ligar o computador, qual o sistema que deve dar boot: aquela que hoje você já tem instalada e funcionando bem, ou o beta do Yosemite que você deseja testar.

Pessoalmente, não pretendo instalar o beta do OS X Yosemite, porque eu evito usar software antes da data da sua disponibilização para os usuários finais, a não ser nos casos em que eu esteja envolvido no seu desenvolvimento. Mas fica a dica (que peguei no Lifehacker) sobre a instalação em partição separada, para quem quiser testar sem dedicar o Mac inteiro a isso, nem usar virtualização.

Atenção ao backup prévio, pois mexer com partições e instalação de sistema operacional sempre tem riscos.

Embora o procedimento seja delicado por natureza, não é dos mais difíceis: envolve visitar o Utilitário de Disco (fica na pasta Utilitários, dentro da pasta Aplicativos) e:

  • clicar no disco que abriga a sua instalação atual do OS X,
  • clicar na aba Partição,
  • clicar no botão +,
  • definir um tamanho para a partição (entre 10 e 20GB dá para fazer a maioria dos testes),
  • dar um nome para essa nova partição (exemplo: “Teste do Yosemite”)
  • pressionar o botão Aplicar
  • esperar enquanto o utilitário "encolhe" a sua partição existente e cria a nova

A partir daí, a sua partição separada já estará criada, e é só usar o instalador do beta do Yosemite normalmente e, no momento em que ele pergunta aonde instalar, responder que deseja fazê-lo na nova partição que você criou.

Para selecionar qual sistema deseja usar a cada boot, basta ligar o Mac com a tecla Option pressionada. Outra alternativa é, quando já estiver com o sistema em uso, procurar o painel "Disco de inicialização", nas Preferências do Sistema.

Antes de começar, entretanto, confira a lista dos Macbooks, iMacs e outros Macs compatíveis com o OS X Yosemite.

As novidades no desktop do OS X Yosemite – a tempo do beta público que inicia nesta quinta-feira

O OS X 10.10 sai na primavera, mas uma versão beta pública sai já nesta semana – veja as novidades já conhecidas.

O Ars Technica é o site que, a cada versão nova do OS X (ou seja, anualmente1), publica um detalhadíssimo artigo de John Siracusa descrevendo cada novidade do sistema.

Certamente o Siracusa já está escrevendo – com base nos previews para desenvolvedores – o artigo dele sobre o OS X Yosemite, que sai nesta primavera.

Só que o Ars resolveu publicar desde já outro artigo menor, no mesmo estilo, porque nesta semana (mais precisamente, na quinta-feira) vai acontecer algo incomum para os padrões Apple de obscuridade: uma versão beta do Yosemite vai ser disponibilizada para os usuários finais interessados em testar nas suas máquinas e ajudar a encontrar bugs, regressões e outros problemas geralmente associados ao dia do lançamento de versões finais de sistemas.

O artigo, escrito por Andrew Cunningham, não é praticamente um ebook como são os do Siracusa, mas é longo o suficiente, e discorre não sobre os novos recursos que a Apple anunciou há alguns meses, mas sim sobre as novidades já anunciadas ou identificadas na nova versão do sistema, podendo ajudar a orientar quem vai testá-lo (como muitos de vocês, certamente) e a informar quem vai esperar pela versão final (como eu).

O desktop do Yosemite – acima – é (não completamente) flat, com menor uso de recursos gráficos como curvas, sombras e texturas que caracterizavam versões anteriores, e aproximando-se do estilo do iOS 7.

O visual é flat, mas não tanto quanto o do iOS 7 – ícones e apps da versão atual não parecerão fora do contexto.

Algumas das mudanças em relação às versões anteriores são sutis, como o uso mais parcimonioso dos elementos visuais translúcidos e o fim dos efeitos de brilho e textura similares a vidro nos botões, barras de progresso e outros elementos visuais.

Outras são bem mais evidentes, como:

  • a presença de um tema (alternativo) escuro para quem usa seu Mac com a luz do quarto apagada (ou em uma caverna),
  • a troca da tradicional fonte Lucida Grande pela Helvetica Neue, mais fina e clara, ou
  • o novo comportamento dos botões do semáforo (vermelho, amarelo e verde) que estão no canto superior esquerdo das janelas desde o OS X 10.0: o vermelho e o amarelo continuam fechando e minimizando, mas o verde passou a ativar o modo em tela cheia (no estilo inaugurado no OS X Lion) nos apps que o suportam, revertendo ao comportamento usual nos apps que não suportarem, ou se o usuário pressionar a tecla Option.

Ele também fala sobre as mudanças no Finder – que não são muitas, especialmente se comparadas com a revolução que ele sofreu no Mavericks –, na Dock (que não são muitas, e revertem a um visual reminescente da época do OS X 10.4), e na Central de Notificações, que mudou bastante (e para melhor) na funcionalidade, e menciona alguns recursos que ainda não vão poder ser adequadamente testados no beta público do OS X, pela ausência do beta público correspondente no iOS: iCloud Drive, Handoff, etc.

Se você vai testar o beta ou se prefere aguardar, a leitura é igualmente recomendada!

 
  1.  Ao menos nos anos recentes...

Typinator tem suporte a expressões regulares

Ferramenta de expansão de trechos de texto usados com frequência ganha suporte a recurso avançado de reconhecimento de padrões.

A minha ferramenta preferida para expansão de trechos de texto frequentemente utilizados é o TextExpander, que me permite digitar menos e escrever mais – essencial à minha produtividade, porque economiza o esforço de digitar frases frequentes, URLs de páginas que sempre menciono, trechos comuns de programação, formatação HTML, nomes de classes CSS, funções PHP, comandos do Terminal e muito mais.

Mas ter uma ferramenta preferida não fecha os meus olhos para as novidades da concorrência, e um recurso novo do Typinator (acima) me faz torcer para que os desenvolvedores do TextExpander logo adotem a mesma ideia: o suporte a expansão baseada em expressões regulares.

A animação acima demonstra o funcionamento normal da expansão de caracteres na maioria das ferramentas: o usuário digita uma sequência curta que ele cadastrou previamente, e o utilitário substitui por alguma frase ou trecho que foi associada a essa sequência – por exemplo, na minha prática diária eu digito ;cep e o TextExpander substitui por 88015-130 (e assim eu acabo nunca conseguindo decorar o meu CEP...).

O suporte a expressões regulares acrescenta uma (importante mas avançada) possibilidade: em vez de reagir a sequências de caracteres fixas, reagir também a padrões – por exemplo, detectar que o usuário digitou um número de CPF (ou uma letra logo após um sinal de pontuação, ou 2 sinais de pontuação seguidos, ou 2 maiúsculas seguidas de uma minúscula, ou o padrão que você quiser definir), e modificá-lo ou formatá-lo de alguma maneira.

Não é um recurso muito amistoso para usuários básicos, mas certamente pode interessar a várias categorias de usuários avançados e profissionais. A mim interessa. Ouviu, TextExpander? ;-)

Coachella, a cidade que comprou 20.000 iPads para seus alunos e professores e comemora o resultado

“Se você não está indo nesta direção, você está atrasado”, diz o diretor distrital responsável por colocar iPads nas mãos de todos os estudantes e professores de Coachella.

Coachella, cidada da Califórnia que é lar de um festival anual de música cujos vídeos muitos de vocês já devem ter assistido em seus iPads, tem um distrito escolar progressista, que já em 2012 aprovou um plano de – ao custo de US$ 20 milhões – adquirir um iPad para cada estudante e professor da cidade, e oferecer banda larga municipal via pontos de acesso WiFi localizados nas escolas.

A experiência foi bem-sucedida: 20.000 iPads foram adquiridos e distribuídos a todos os alunos e professores (para muitas famílias, foi a primeira experiência com dispositivos de acesso móvel pessoal à Internet), e os pontos de acesso WiFi (cobrindo quase toda a cidade) estão instalados e funcionando.

Funcionou tão bem que a Apple leva para visitas a Coachella os educadores interessados em implantar o iPad em suas escolas.

Os 2 bichos-papões da implantação de tecnologia móvel pouco apareceram por lá: após 1 ano da implantação dos 20.000 iPads, só há registro de "7 ou 8" casos de furto ou desaparecimento de iPads, e só cerca de 10 estudantes precisaram responder por acesso a conteúdos não autorizados.

Por outro lado, os benefícios colaterais apareceram: os pais, que precisavam interagir com o iPad em atividades como a consulta ao boletim ou eventual troca de mensagens com os professores, passaram a usá-los também para seus próprios interesses, multiplicando a utilidade dessas ferramentas adquiridas por interesse público.


O sucesso foi tanto, que a conexão à Internet do distrito passou a estar sobrecarregada e, para evitar prejudicar as escolas dos outros distritos da região, a administração regional impôs limites de uso, e está trabalhando para multiplicar por 10 a capacidade do link de Coachella.

Na sala de aula os iPads já produziram efeito, permitindo expandir o antigo currículo baseado na memorização de fatos e incluir nele atividades mais criativas e variadas. A Universidade da Califórnia já foi convidada a apoiar a medição da variação de desempenho escolar.

O gestor do distrito escolar e responsável pela implantação da ideia dá seu recado aos demais administradores de escolas: se você não está indo nesta direção, você está atrasado.

Por que um desenvolvedor do Debian GNU/Linux migrou para o OS X?

Jonathan Dowland é desenvolvedor de longa data no projeto Debian, uma das mais clássicas e relevantes distribuições de Linux – atualmente, ele é mantenedor de apenas 2 pacotes (lhasa e squishyball), mas seu histórico de contribuições é bem mais extenso.

Conhecido no âmbito do projeto pelo nick jmtd, a atividade profissional de Jonathan exige que ele use também Mac e Windows (além do Debian, que é a base do seu uso pessoal há mais de 10 anos), e ocasionalmente ele instalava um desses outros 2 sistemas no seu desktop pessoal, para explorá-los por períodos de até 2 semanas.

Mas em novembro do ano passado isso mudou: ele iniciou um período de uso de um Mac com o OS X, como tantos anteriores mas, agora que já estamos em julho e ele ainda permanece usando-o, concluiu: mudou de vez para o Mac.

Ele não detalha muito as razões, e é importante frisar: trata-se da opinião de uma única pessoa. Mas como essa pessoa era entusiasta, participante ativa do desenvolvimento e se percebeu cansado do experimentalismo nos ambientes desktop, da ausência de interesse no feedback dos usuários avançados, da continuidade da dependência de software proprietário para acesso pleno aos recursos avançados de hardware comum, pode provocar reflexão em tantos outros (eu inclusive) que transitam entre o mundo Linux e o mundo Mac.

Como a nota na ITWorld comenta, entre os desenvolvedores voltados ao Linux, muitos mais continuam preferindo usar esse sistema, e a mudança de um usuário não muda muito o grande esquema das coisas.

Por outro lado, entender quais os fatores envolvidos nesse tipo de decisão pode contribuir para decisões de projeto, e sempre me interessa conhecê-los.

Um detalhe importante: ele continua ativo como desenvolvedor do Debian, embora atualmente esteja restrito à manutenção de 2 pacotes, e pensando na adoção de um terceiro.

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