Mac Mini: vale a pena? (edição 2011)

Com o lançamento do novo Mac Mini, na semana passada, ocorreu um novo surto de uma velha questão: vale a pena comprar um Mac Mini?

[Atenção: veja também a versão deste artigo atualizada para o Mac mini 2012]

E esta pergunta é feita em vários contextos: pode ser o “primeiro Mac” de alguém que quer experimentar o OS X aos poucos, por exemplo. Mas também pode ser uma central multimídia para a sua sala de TV, ou um servidor compacto rodando o Lion Server, ou um desktop que já vem com o OS X Lion mas custa bem menos que um iMac (especialmente se você aproveitar o monitor que já tem!), por exemplo.

E apesar de suas dimensões reduzidas, o Mini forma bons desktops, e se encaixa também em vários outros papeis nos quais a criatividade dos usuários o coloca.

O meu desktop do home office é um iMac, mas durante um longo período o lugar que hoje é dele foi ocupado por um Mac Mini (modelo 2009), que chegou aqui meio por acaso:  movido pela intensa frustração com um PC que se recusou a funcionar num fim de semana em que eu precisava muito dele, peguei o Mac Mini que estava na sala e servia como central de entretenimento da casa e coloquei-o como desktop.

Era para ser uma solução rápida até poder consertar o outro PC na segunda-feira, mas em vista do resultado acabou ficando permanente: o Mac Mini (modelo 2009, a geração final antes dos atuais Mac Minis com o gabinete unibody inaugurado no ano passado) ficou como desktop por pouco mais de um ano, rodando valente em 2 monitores tudo que eu precisei (até mesmo o Ubuntu!).

[Leia também: Mac mini conectado à TV: funciona bem ou não? Veja o resultado dos testes]

Hoje este Mac Mini 2009 voltou a ser media center (está tocando bossa nova lá na sala enquanto escrevo este post no escritório), e foi sucedido na minha escrivaninha por um iMac. Mas durante seu tempo de serviço como desktop, ele funcionou com o teclado, mouse e monitor que eu já tinha na mesa, e que antes estavam conectados ao PC anterior, sem problemas nem sustos, desde o primeiro boot.

Mas não sou o único usuário de Mac na casa, então ainda temos um Mac Mini (modelo 2010, unibody) em funcionamento diário como desktop, e com o lançamento do novo modelo 2011, é provável que em breve ocorra um upgrade em cascata na família: um novo Mac Mini modelo 2011 vai substituir este desktop secundário, o modelo 2010 vai virar o media center, e o modelo 2009 (que ainda dá conta do recado!) vai sobrar para as eventuais experiências de laboratório ;-)

 

Mac Mini: especificações

O Mac Mini modelo 2011, à primeira vista, parece bastante com o modelo do ano passado, que marcou a chegada do design unibody (com o gabinete feito em um bloco único de alumínio). Um gabinete pequeno (19,7 x 19,7cm, com 3,6cm de altura), com fonte interna, com todos os conectores concentrados na parte traseira.

E não são poucos conectores – a parte traseira do Mac Mini tem:

  • Slot para cartão SD (SDXC, até 64GB)
  • Entrada e saída de áudio (ambos compatíveis com conectores analógicos  comuns e também com conectores digitais Mini TOSLINK)
  • 4 portas USB
  • Porta de rede Ethernet RJ-45 10/100/1000BASE-T
  • Porta FireWire 800
  • Porta HDMI (para áudio e vídeo digitais – um adaptador para monitores DVI vem incluso)
  • Porta Thunderbolt (para vídeo e conexão de alta velocidade a periféricos)
  • Conector para o cabo de eletricidade 100-240V AC

Além da conectividade com redes locais cabeadas oferecida pela porta Ethernet, o Mac Mini vem também com suporte a redes sem fio Wi-Fi 802.11n/a/b/g e com Bluetooth 4.0.

Se a porta Thunderbolt no painel traseiro é uma grande novidade em relação ao modelo do ano passado, o painel frontal do Mac Mini 2011 guarda a maior novidade visível externamente: o drive de CD/DVD não está mais presente. Isto não deve fazer grande diferença para quem (como eu) já trocou os discos ópticos pelos cartões SD, pen drives e conexões de rede há tempos, mas é um elemento importante para a decisão de compra de quem lê e grava DVDs regularmente, por exemplo – em especial para quem pensa em adotar o Mini em uma central de entretenimento e ainda mantém o hábito de assistir a DVDs.

Pelo lado de dentro, entretanto, há variação nas configurações, formando 2 modelos diferentes:

  • Mac Mini de 2,3GHz: CPU Intel Core i5, 2 GB de memória (expansíveis até 8GB), 500GB de disco rígido, GPU Intel HD Graphics 3000. (preço de referência: R$ 1799)
  • Mac Mini de 2,5GHz: CPU Intel Core i5 (opcionalmente substituída por Core i7 de 2,7 GHz), 4GB de memória (expansíveis até 8GB), 500GB de disco rígido, GPU AMD Radeon HD 6630M. (preço de referência: R$ 2699)

Os Mac Minis modelo 2011 vêm pré-instalados com o OS X Lion e com o pacote iLife (iPhoto, iMovie e GarageBand).

 

Mac Mini: Desempenho

O salto de velocidade dado após a substituição da CPU Core 2 Duo do modelo 2010 pelos Core i5 e Core i7 é bastante perceptível: a Apple menciona que o desempenho chega a ser o dobro do registrado na geração anterior do Mac Mini.

Mas quem acredita nas descrições de desempenho dadas pelo fabricante? O bom é ver os testes independentes, e embora os testes da MacWorld ainda estejam em andamento, eles já destacaram que em alguns testes o desempenho mais do que dobrou, mesmo.

Eu gostei especialmente de uma observação prática feita no review do Engadget: eles exageraram e deixaram rodando simultaneamente, em um modelo com 2GB de RAM, o Photoshop, Word, Firefox, Chrome, TweetDeck e o Lightroom – e só depois de 3 horas começaram a notar alguma lentidão.

Eu não recomendaria a ninguém rodar simultaneamente tudo isso (Firefox e Chrome? Word e Photoshop? Tudo junto?!) em uma máquina de 2GB de RAM, mas o fato de o sistema operacional ter conseguido gerenciar a carga por 3 horas mesmo nestas condições é algo a ser considerado.

O Engadget também esclareceu que mesmo os 2GB de RAM foram suficientes para tarefas intensivas de vídeo que vão além da capacidade de algumas máquinas de pequeno porte, como exibir vídeos de 1080p, clips em alta definição do YouTube e similares.

Para o pessoal dos jogos, imagino que o Mac Mini não deva ser a opção primária, mas aqui estão mais alguns dados do Engadget com um jogo não tão recente: no Half Life 2: Episode 2, eles botaram os detalhes em High, a resolução em 1920 X 1200 e o jogo rodou a 31fps.

E para quem quer comparar benchmarks “padronizados”, o modelo básico (Core i5 de 2,3GHz, 2GB de RAM) testado pelo Engadget alcançou 5.919 no Geekbench, e 291.21 (overall)/ 228.84 (CPU)/ 400.30 (Thread Test) no XBench.

 

Teclado e mouse

O Mac Mini vem em uma caixinha contendo apenas a CPU, o cabo de alimentação, um pacote de documentação impressa e eletrônica, e um adaptador complementar para o caso de você querer conectar um monitor DVI à sua porta HDMI.

Não é difícil encontrar (inclusive na Apple Store) adaptadores adicionais do formato Mini Display Port (que podem ser conectados à porta Thunderbolt do Mini) para VGA, DVI, HDMI e outros, para você usar um segundo monitor, ou mesmo um projetor – espelhando ou expandindo o desktop.

O teclado e o mouse que você já tem em casa provavelmente funcionam no Mac Mini também (isto é, se eles foram USB – com ou sem fio – ou Bluetooth), mas é possível que você tenha que configurar adequadamente a acentuação ou o comportamento dos botões do mouse, e se acostumar a usar a tecla ALT onde teclados Mac têm OPTION, e a tecla Windows (ou Super) substituindo a tecla ⌘ COMMAND.

Usar um teclado da Apple e um Magic TrackPad (ou um Magic Mouse) pode trazer algumas vantagens adicionais, especialmente quanto ao controle do Lion por gestos e pela presença de botões de acesso direto a determinadas funções do ambiente,  mas encarecem bastante a compra inicial – e você sempre pode adicioná-los depois, quando perceber que farão diferença positiva.

 

O que mais?

Para um novo usuário de Macs, talvez o aspecto mais interessante que ainda falta destacar no Mini é que ele vem com o sistema operacional e os aplicativos iniciais pré-instalados – de modo geral, você pode ter a expectativa de tirá-lo da caixa, ligar na tomada, conectar a um monitor DVI ou HDMI, teclado e mouse USB e a uma rede (com cabo ou sem fio) e começar a explorar e se adaptar.

Mas ele tem outras vantagens positivas menos evidentes em uma mera olhada nas fotos e tabelas: consome relativamente pouca energia (a fonte usa meros 85W, ou 13W quando ocioso, ou 1,39W quando adormecido), é silencioso até mesmo quando liga a ventoinha, ocupa pouquíssimo espaço na mesa, e é o Mac mais barato que você pode comprar – R$ 1200 abaixo do MacBook mais barato, pelo preço de tabela.

Por outro lado, há também algumas desvantagens: a possibilidade de upgrade de hardware pelo próprio usuário é bastante limitada, a conexão aos ainda comuns monitores VGA exige um adaptador não incluído, e a remoção do drive de CD e DVD possivelmente desestimula o upgrade para quem já tem um Mac Mini de modelos anteriores servindo como media center.

Em resumo: para mim vale a pena. Eu tenho, já usei diariamente, ainda uso com frequência, e certamente providenciarei o upgrade para o modelo deste ano, para aproveitar o salto no desempenho da CPU. Recomendo que você avalie o produto de acordo com as suas próprias necessidades e interesses, e espero ter dado uma descrição objetiva dos recursos dos Minis para que você possa compreender o potencial do equipamento e compará-lo com as outras alternativas que estiver considerando!

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