Touch: nova revista voltada ao iPad e iPhone

Um editorial que é em parte ironia e em parte reconhecimento ao recente discurso de Steve Jobs sobre estarmos vivendo o início da era pós-PC marcou o lançamento da primeira edição da revista Touch, dirigida aos usuários de Ipads, iPhones e outros dispositivos que rodam o iOS.

Revistas impressas tratando de dispositivos desta natureza parecem anacrônicas e até mesmo ligeiramente contraditórias – mesmo considerando que elas contam com versões digitais (foi como eu li a minha, no próprio iPad, em um exemplar para review que solicitei à banca digital Zinio), há que se considerar que uma revista com periodicidade mensal não consegue mais acompanhar a velocidade das mudanças nesta área.

Mas a reação das revistas voltadas a usuários é interessante: cada vez menos notícias (que ficam ultrapassadas bem antes de o exemplar chegar à mão do leitor) e cada vez mais análises de produtos, tutoriais e peças de opinião.

É o caso da australiana Touch, cujas 100 páginas da edição inaugural estão recheadas de informações sobre o iPad, o iPhone, suas apps, acessórios e uso.

É o que você vê em toda revista do ramo, certo? Mas aqui há um diferencial que me agradou muito, e que eu gostaria que estivesse presente em mais publicações nacionais e internacionais: fugir do óbvio.

Um exemplo claro vem na matéria de capa: 101 apps essenciais. Você já viu isso antes, né? E está pensando que já sabe quais são todas as 101. Mas a lista da Touch não é bem assim: realmente metade dela é composta por aqueles aplicativos que estão em todas as listas (Flipboard, Angry Birds, Pages...), mas o restante é recheado de apps “clássicas” que não são mais tão citadas (iHandy Carpenter!), e de algumas que você talvez nem tenha ouvido falar (Diacarta?) mas que merecem uma olhada.

Da mesma forma, as matérias sobre o iPad nas mãos de professores e alunos (iniciativas inovadoras na educação), sobre o uso da app Bento para colocar o iPad ou o iPhone em uso na automação de tarefas profissionais (cadastros de clientes, acompanhamento de processos, etc.) ou sobre o iPad como utensílio de cozinha deram um toque criativo muito bem-vindo – se não sobre os temas, ao menos sobre o conteúdo.

Claro que ela não é criativa de cabo a rabo, também: aqueles conteúdos nossos de cada dia esão presentes: a matéria explicando os primeiros passos a quem está usando um iPad pela primeira vez, os comparativos de smartphones e de tablets, vários reviews de apps (com notas variando entre 6 e 10), etc.

No final, uma atração interessante: uma seção que explica passo a passo algumas tarefas comuns com apps: gerenciar uma pendência com o Things, compartilhar um arquivo com o Dropbox, tirar uma foto com efeitos usando o Hipstamatic, e assim por diante.

A Touch é publicada pela editora australiana Niche Media, e sua primeira edição tem 100 páginas (em inglês, claro). Os artigos dela são originais, e não reproduções ou adaptações de material de revistas de outros países.

O sustento de uma publicação impressa ocorre mais pelos anunciantes do que pelo preço de capa, e neste sentido ela parece ter começado com o pé direito, com uma série de anúncios de marcas internacionais e produtos consagrados. Tomara que seja o indicativo de que muitas outras edições estão por vir!

Se você encontrar à venda em uma banca de aeroporto, compre – eu li e gostei. Se preferir, pode comprar a edição digital no Zinio, para ler no próprio iPad - o que já está se tornando habitual por aqui, e que vou tentar transformar em uma prática, pois o número de revistas sobre temas correlatos ao do BR-Mac só aumenta, e acredito que vocês tenham tanto interesse em conhecê-las quanto eu!

O exemplar usado para esta resenha foi disponibilizado ao BR-Mac pelo Zinio, distribuidor on-line de revistas em formato digital.

 

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