Análise: Google ganha 4x mais receitas vindas de aparelhos iOS do que do Android

O processo que a Oracle (proprietária da tecnologia Java) moveu contra o Google por alegadas infrações de propriedade intelectual cometidas no sistema Android está em andamento e talvez ainda demore a chegar a uma sentença, mas ao longo dele várias informações interessantes sobre as tecnologias e mercados envolvidos (e que as empresas em questão usualmente não divulgam) foram sendo reveladas nos autos.

A mais recente é interessante para quem às vezes se pergunta se o Google, por ter interesse em promover sua própria plataforma mobile (o Android) não irá se sentir tentado a oferecer menos suporte aos usuários do grande rival iOS, dos iPads e iPhones.

A resposta vem da análise do jornal britânico The Guardian sobre números recém-divulgados usados para justificar a proposta de multa que o Google propôs estipular caso se comprove que cometeu a alegada violação.

O cálculo envolve uma série de variáveis nascidas das informações prestadas pelo Google no processo e de declarações dos altos executivos da empresa, e chega à conclusão que referenciei no título: o Google recebe 4 vezes mais receita de aparelhos da Apple com iOS do que dos aparelhos com Android.

Essa receita vem dos serviços de publicidade on-line da empresa, mas também tem relação com a presença de serviços do Google (Mapas, YouTube, Google Search, etc.) na configuração default dos iPhones e iPads atuais, segundo o artigo.

Não costumo publicar notícias comparando mercados ou acompanhando processos judiciais aqui porque passa bem longe do nosso foco, mas este é um número tão ilustrativo que julguei merecer que uma exceção fosse aberta.

Um detalhe importante: apesar de ser baseado em dados oficiais fornecidos pelo Google, a conclusão do The Guardian não é oficial e nem confirmada pela empresa (o site The Verge a coloca em dúvida, por considerar provável que os números apresentados ao judiciário pelo Google tenham sido maquiados, por exemplo), e isso deve ser considerado na hora de analisá-la.

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