Agência estuda liberar iPad para passageiros durante todo o vôo

Augusto Campos em 29/08/2012

A agência federal de aviação dos EUA (que influencia diretamente as normas brasileiras também) começou o reestudo das regras de uso de eletrônicos (como o iPad ou o celular) a bordo, inclusive durante o pouso e a decolagem. A revisão das normas estava anunciada há alguns meses.

É cada vez mais frequente ver passageiros desrespeitando a norma existente e continuando a usar seus iPads e iPhones durante o pouso e a decolagem, e com a autorização oficial para uso de iPads pelos pilotos, os questionamentos aumentaram.

O grupo de estudos é formado por representantes das empresas dos setores aeronáutico e eletrônico, de pilotos, comissários e passageiros, e terá 6 meses para apresentar suas respostas. Em paralelo, uma consulta pública foi iniciada.

Embora a jurisdição da FAA seja restrita aos EUA, a repercussão nas normas brasileiras (da ANAC, agência equivalente em nosso país) é direta: "Atualmente a Anac não contempla em seu planejamento nenhuma atividade para rever essa lista de dispositivos permitidos, no entanto, eventuais estudos e novas propostas de regras produzidos por outras autoridades estrangeiras, como FAA e EASA, podem ser avaliados por esta Agência e, posteriormente, internalizados em um formato adequado à realidade brasileira", afirmou, em entrevista ao Terra, Annelise Pereira Berutt, gerente técnica da agência nacional.

A síntese da posição corrente da ANAC é: "Com equipamentos eletrônicos cada vez menores e mais sofisticados, há uma demanda crescente dos passageiros durante os voos para o uso de algumas funções de celulares inteligentes (smartphones). Exceto durante o pouso e a decolagem, a Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC) permite a utilização destes equipamentos desde que não emitam ondas eletromagnéticas, para que não causem interferência nos sistemas de aeronave e mantenham a segurança do voo. É o caso, por exemplo, dos celulares que possuem configurações “voo” ou “avião”, notebooks, aparelhos que reproduzem músicas e vídeos (players de MP3, MP4 e outros), câmeras digitais de foto e vídeo etc. Cabe às companhias aéreas a liberação ou não para seus passageiros utilizarem esses aparelhos, desde que demonstrem que não causam interferência nos sistemas do avião."

Vamos torcer para que a posição da FAA, de que o novo contexto econômico em que o mundo está inserido e o crescimento do uso de smartphones, tablets e notebooks para a comunicação justificam revisão do assunto, se reflita no resultado dos estudos (que naturalmente precisam considerar a interferência gerada) e na atualização das normas, lá e aqui.

Só não esqueça de fazer uma pausa e tirar os fones de ouvido na hora das instruções de segurança!

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Comentários arquivados

Comentário de Raphael Bottino em 29/08/2012 às 12:05:28

Se realmente os dispositivos eletrônicos implicassem tanto no voo como eles falam, todos seriam revistados para que não viajasse com o mesmo em posse. Simples assim. Acredito que eles não autorizem durante a decolagem e o pouso simplesmente porque são os momentos mais críticos do voo e querem todos prestando atenção.

Comentário de José em 29/08/2012 às 14:37:54

Prefiro ser cético. Se há a mínima chance de haver interferência tem que proibir o uso sim. E acho assustador como o negócio está passando frouxo. Tem que revistar e proibir o uso sim.

Comentário de Andre em 01/09/2012 às 01:36:08

Gente, é fato que se algum dispositivo eletrônico fosse capaz de interferir nos instrumentos do avião eles não seriam permitidos a bordo. Ainda mais depois do 11 de Setembro. O fato é que o pouso e a decolagem são fases críticas do vôo e requerem a atenção de todos. Em caso de emergência, é preciso que a aeronave seja evacuada o mais rápido possível, pois é enorme o risco de incêndio. É por esse mesmo motivo que as comissárias de bordo solicitam que todos retornem as poltronas à posição vertical e recolham as bandejas. Imagine se acontece um problema e na hora de evacuar o avião você estava com o notebook no colo, ou dá de cara com a bandeja do seu vizinho de assento. São segundos preciosos.