Office para iPad? 5 apps para a produtividade móvel

Augusto Campos em 4/09/2012

Veja como colocar o iPad para trabalhar, com apps para escritório que podem fazer muito pela sua produtividade mesmo fora dele!

A ideia de que a produtividade digital é construída ao redor do trio processador de texto + planilha + apresentações data da década de 1980, e está tão profundamente arraigada que muitas vezes não a questionamos, e ficamos em busca de aplicar este mesmo modelo a plataformas em que ele não se aplica tão diretamente.

É o caso da produtividade móvel: claro que é positivo estar apto a criar uma página de texto com formatação caprichada, ajustar cálculos em uma planilha ou preparar um conjunto de slides no iPad (e se é o que você deseja, recomendo conhecer as versões para iPad do pacote iWork, da própria Apple), mas a mobilidade, leveza, conectividade, duração da bateria e interface touch do iPad permitem que ele ofereça outras formas de nos tornar produtivos no ambiente profissional, se conseguirmos nos libertar do paradigma "suíte de escritório".

Considerando que muitos de nós atuam em situações de trabalho radicalmente diferentes daquelas dos anos 90, já com comunicações on-line (e-mails, intranets, etc.) se encarregando de muita coisa que se resolvia com reuniões, memorandos e apresentações corporativas, um artigo do GigaOm recentemente sugeriu que precisamos redefinir o conceito de pacote de escritório, especialmente se desejarmos aproveitar o potencial do iPad no fluxo de trabalho atual – mas eu acrescentaria que pensar desta forma permite aproveitar melhor até mesmo os computadores tradicionais.


Longe vão os dias do trio WordStar, Lotus e dBase. O trio Word, Excel e Microsoft também já viveu dias de maior dominância. O GigaOm propôs que não tentemos sucedê-los por outro trio com as mesmas categorias de aplicações (um "Office on-line", um "Office touch" ou algo assim), mas sim por aplicações nativas da nova realidade de trabalho que está se desenvolvendo na década atual.

Ele propôs 5 categorias, que não vou traduzir (recomendo a leitura do original!), mas comentarei a seguir, acrescentando minhas próprias sugestões.

Office para iPad no século 21

O elemento central é o editor de textos. O poderoso processador de texto (como o saudoso WordStar, ou o sempre presente Word) reinou por décadas e continuará tendo sua aplicação, especialmente enquanto tivermos documentos apresentados em papel (ou em metáforas do papel, como arquivos PDF organizados em páginas).

Mas muito da informação que recebemos, geramos e fazemos trafegar hoje já abandonou o "pé no formato Ofício": temos e-mails, artigos on-line como este que você está lendo, mensagens instantâneas e vários outros formatos que dispensam a maior parte das convenções e demandas que justificam o uso de um complexo processador de textos.

O GigaOm propõe que passemos a dar maior atenção aos editores de textos simples. Neles o foco se desloca da composição para a simples captura, registro e transmissão de ideias. A formatação apurada dá lugar à agilidade. E os incontáveis menus e caixas de diálogo dão lugar a amistosas telas desimpedidas, em que só se vê o seu texto, sem distrações.

É o que eu recomendo e uso (este artigo que você está lendo foi redigido em um editor de textos simples, por exemplo). O GigaOm indica o app ByWord, que eu aprecio, mas prefiro o Writing Kit.
 

Entendeu ou quer que eu desenhe? O poder dos desenhos e diagramas como forma de transmitir ideias complexas ou difíceis de comunicar em palavras é bem conhecido, e se torna especialmente importante quando a comunicação não é presencial.

Mas nem sempre dá de encaminhar a tarefa para um artista ou um estúdio: o iPad nos oferece o equivalente digital do guardanapo de restaurante em que muitas ideias vencedoras foram diagramadas, ou do quadro branco da sala de reuniões em que os diagramas rabiscados permitem chegar ao consenso.

Essa ideia consta em 2 das categorias de apps propostas pelo GigaOm: a da comunicação por desenhos, para a qual o autor recomenda os apps SketchBook (fácil de aprender e usar, mesmo sendo da empresa que faz o AutoCAD) e o colaborativo WhiteBoard, e a da estruturação de ideias em mapas mentais, para a qual recomenda o MindNode e o SimpleMind.
 

A câmera vira um scanner. O iPad está longe de ser o instrumento mais cômodo para tirar uma foto de festa ou de paisagens da natureza, mas quando ele é usado a serviço, a câmera embutida tem uma grande vantagem: já está ali.

Com isso ela se torna uma aliada importante na hora de registrar o que foi anotado no quadro branco durante a reunião, capturar as informações de um folder, recibo ou cartão de visitas, e outras formas de registro de imagens. Estes usos são tão comuns que os apps especializados (como o JotNot já incluem formas fáceis de identificar as bordas do documento (seja um pequeno cartão ou um grande quadro), corrigir os ângulos, etc.

O meu preferido é o Scanner Pro, no qual costumo fazer uso do recurso de fotografar separadamente várias páginas de um documento recebido em papel e a partir delas gerar um PDF único, exatamente como faria num scanner tradicional.

Rascunho à mão livre. Tomar notas à mão livre no iPad é possível e é uma ideia bastante popular, justificando uma verdadeira indústria de canetas apropriadas para uso na sua tela, e o surgimento de um app novo a cada semana. Para este tipo de anotação eu prefiro o papel, mas o iPad não se sai mal.

O GigaOm recomenda o app NoteTaker, e eu pessoalmente já testei outros 3: o Noteshelf, o Bamboo Paper e o Penultimate.

As categorias que faltaram

Tratei acima das 5 categorias mencionadas pelo GigaOm: editores de texto, diagramas, mapas mentais, scanner/câmera e rascunhos. Mas na minha prática de produtividade com o iPad, há 2 categorias a mais que são essenciais e merecem menção.

Sincronizar e compartilhar. Embora o iCloud seja uma promessa que vem se realizando, eu dependo bastante do Dropbox para manter os arquivos sincronizados, e eventualmente para compartilhar (via recurso web do próprio app) arquivos com outras pessoas, mesmo que elas não sejam usuárias do Dropbox. Ele ainda tem a vantagem de abrir para leitura documentos em vários formatos comuns (Word, Excel, Powerpoint, PDF, ...), dispensando para isso a presença de outros aplicativos instalados.
 

Visualizar e anotar documentos. Criar documentos no "estilo papel", com formatação, tabelas e outros recursos típicos não é uma tarefa que eu costume fazer no iPad. Mas é bastante comum receber por e-mails documentos em PDF para analisar ou mesmo para preencher, e nestes casos eu costumo recorrer a dois apps especializados: PDFPen e GoodReader.

E a produtividade pessoal?

Se eu não incluísse este parágrafo, certamente seria cobrado pelos leitores atentos, portanto aqui vai a menção: aplicações de produtividade pessoal (agenda, pendências, contatos, referências, leitura, calculadora, etc.) e de comunicação on-line (chats, mensageiros, videoconferência, audioconferência, telefonia IP, etc.) também podem contribuir bastante para a produtividade no ambiente profissional, e muitos dos apps destes ramos podem ser aplicados também a situações como as descritas acima ツ

Leia também: iPad como ferramenta de trabalho: 7 dicas.

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Comentários arquivados

Comentário de José em 04/09/2012 às 14:57:52

Estou fazendo mestrado na área de genética e uma pós-graduação a distância na área de educação. Uso o iPad em aulas para gravar e fazer anotações rápidas. Uso muito o Evernote para tal, só sinto falta de uma ferramenta de desenho no aplicativo (pensei que eles integrariam o Skitch nesse sentido, mas ainda não aconteceu), também uso o Notability, que, se eu não me engano foi uma indicação sua. Também leio meus papers através do Good Reader e os organizo no Mendeley. Vem me sendo uma ferramenta bem útil, embora bastante limitada, afinal ainda não acho que seja o momento de usar o iPad para digitar minha dissertação ou para fazer os cálculos estatísticos dos meus experimentos. Talvez com mais tempo eu pudesse me adaptar, mas não me sinto seguro para tal. Quase todas as atividades da pós a distância tem sido feitas no iPad. Desde assistir as aulas, ler o material disponibilizado e preparar as atividades solicitadas. Só tem um problema, para enviar o material produzido o sistema é na própria página do curso, e simplesmente o botão de upload não funciona no iPad. Não sei se é limitação da própria Apple via IOS, ou se é problema na própria página. Caso isso pudesse ser feito por e-mail ou outra via, não haveriam problemas. Mas, estou gostando, pois ganho em flexibilidade e mobilidade. Mas realmente ainda não dá pra depender só dele. Uma ferramenta tipo office é meu próximo passo, porém fico com um pouco de medo de meu iPad de primeira geração não conseguir rodar ele direito. Ando pensando em troca-lo, mas ainda não acho que seja necessário realmente.

Comentário de Anderson Costa em 04/09/2012 às 16:31:15

Eu tenho adotado o Pages para trabalhos com textos no iPad, porque já tinha adquirido o app para iPhone pra alguns testes. E mesmo assim ainda não acho completo. Pra alguns docs específicos de clientes eu acabo usando o Office na nuvem. Pra documentos simples o Pages dá e sobra. O que eu faço hoje é integrá-lo com o Dropbox via Otixo, que me disponibilza um acesso a todas as contas cloud que eu tenho lá cadastradas via WEBDAV. Então acesso, copio e salvo arquivos no SkyDrive e Dropobox sem problemas.

Comentário de Augusto Campos em 04/09/2012 às 17:36:59

Devias detalhar isso no Movebla, Anderson ツ

Comentário de Cleyton Joseph em 05/09/2012 às 06:00:35

A produtividade que o iPad me proporciona mesmo para tarefas simples me faz ter este device como uma ótima ferramenta para meu curso de Sistemas da Informação, onde digito as aulas usando Apps como o Office2 HD que tem conexão com o Dropbox e ainda que eu dependa de conexão Tethered com o iPhone (o iPad2 é Wifi only) isso me ajuda pela leveza do equipamento e a bateria durar muito. Se não fossem as aulas de programação, eu deixaria em casa o MBA, sonho ainda que possam lançar talvez um Eclipse para tablets =D O que me incomoda nos iDevices, é a falta de poder gerenciar o sistema de arquivos como eu faço em dispositivos Android. Quando abro um arquivo no Filer, ele permite que eu abra um .doc, em um App Office, ou um .txt em algum editor compatível. Mas ao invés do arquivo que está no Filer ser modificado, uma cópia é gerada no App que eu usar para edição. O iPad é uma ferramenta tão boa que uso ele como meu caderno digital e não carrego mais cadernos convencionais, apenas o iPad e canetas que podem ser úteis em alguma prova ou assinar lista de chamada =) E na sala muitas vezes me sinto incomodado com os outros usuários de iPad que, usam cadernos para tomar suas notas (nada contra esse método é claro), e usam o iPad deles nos intervalos para jogar. Pagar tão caro por uma ferramenta com N utilidades e não as aproveitar é um pecado hehe, claro, cada um usa o que quer e como quer, porém, é muito dinheiro investido para fazer algo que um PSP de 400 dinheiros faria. Mais uma vez, um excelente texto, algumas dessas práticas eu já aplico com meus iDevices, e é sempre bom descobrir novas formas de ser produtivo! Abraços!

Comentário de Cleyton Joseph em 05/09/2012 às 06:02:46

Ah, esqueci de mencionar: Muitas vezes os PDF e Slides eu visualizo no iPad, pois imprimir apostilas se tornou desnecessário para mim na grande maioria dos casos, pois com o tablet em mãos, ler um PDF ou ver slides ou as minhas próprias anotações é muito mais confortável e ainda ajudo a natureza =D