VLC no iPad e iPhone: novo licenciamento livre abre caminho para o retorno à App Store

O VLC é o canivete suiço dos players de vídeo. Trata-se de um software livre disponível para muitas plataformas (incluindo o Mac), e que esteve disponível por um breve período também para o iPhone e iPad, até ser removido da App Store no início de 2011 a pedido dos desenvolvedores, que estavam em conflito entre si sobre se os termos de licenciamento permitiam ou não a sua disponibilização nela, como narrei no artigo "VLC no iPhone: a liberdade que remove", publicado no início de 2011.

Eu cheguei a instalar o VLC no iPhone e no iPad na época em que ele estava disponível como um app gratuito na App Store, e o uso até hoje (apesar de não ter sido atualizado para tirar proveito de modelos mais recentes) porque ele faz algo que os apps da Apple não fazem: suporta vídeos DivX, H.264, MKV, WebM, WMV e nos mais variados formatos, sem conversão nem necessidade de inclusão na biblioteca do iTunes (leia também: 10 coisas que o VLC faz e você não sabia)

Na ocasião da sua remoção, apesar do posicionamento da direção da associação Videolan (responsável pelo software) e da empresa Applidium (que portou para o iOS) e da reação de usuários, prevaleceu o entendimento de que a licença usada no VLC sustentava mesmo a remoção da App Store motivada pelo pedido individual de um desenvolvedor participante do projeto.

Os meses foram passando e a situação mudando aos poucos graças a um longo esforço do presidente da Videolan em entrar em contato com todos os autores que já contribuíram com o projeto, chegando a um marco na semana passada: a licença do VLC passou a ser a LGPL, também software livre, mas com termos de licenciamento mais permissivos.

Nem todos os autores puderam ser contatados, mas a maior parte dos que responderam não teve qualquer objeção ao relicenciamento sob outra licença de software livre. Quanto aos trechos de autoria de quem não respondeu, ocorreram várias alternativas: alguns foram removidos, outros reimplementados, alguns foram isolados para causar menor impacto quando ausentes, etc.

Segundo Jean-Baptiste Kempf, que dirigiu o processo de relicenciamento, a mudança de licenciamento pode permitir a inclusão na App Store de um app similar ao VLC – e imagino que seja similar, e não igual, porque os trechos que não foram relicenciados precisarão ser excluídos.

Para as demais plataformas e repositórios, nada muda por enquanto. Para o iPhone e iPad, pode ser o retorno de um dos melhores players de vídeo. Aguardemos, portanto, os próximos capítulos!

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