Criador do GNOME conta como foi a migração do seu desktop para o Mac

De usuário de Linux e criador do desktop GNOME que insistia para que todos os membros das suas equipes usassem ambos os sistemas no seu desktop (e praticava pessoalmente o mesmo hábito), ele passou a ser usuário de Mac no desktop, e há meses nem coloca na tomada seu computador com Linux.

Miguel de Icaza tem uma trajetória de extremos, e entre eles estão a criação, em 1999, do ambiente gráfico GNOME (acima) – até hoje preferido por muitos usuários de Linux – e do Mono, que foi visto por muitos como uma uma iniciativa voltada ao levar o .Net e o Silverlight, da Microsoft, ao Linux.

De herói do software livre, na época em que propôs o GNOME como alternativa ao ambiente gráfico KDE, que dependia de um componente proprietário para funcionar, ele passou a ostentar o título de MVP da Microsoft, e chegou a ser chamado de traidor da comunidade por ninguém menos que Richard Stallman, o criador da Free Software Foundation.

Em um post de seu blog, Icaza conta como foi a trajetória que o levou de ferrenho usuário do GNOME a satisfeito usuário do Mac, começando na época em que usar GNOME e Linux era uma política estritamente seguida em seus grupos de trabalho.

Para ele, a mudança para o Mac começou enquanto era desenvolvedor do seu sistema Mono, trabalhando para a Novell e com o título de MVP da Microsoft. Era necessário desenvolver o Mono também para o Mac, então havia Macs no ambiente de trabalho.

O ponto de transição chegou em uma viagem de férias ao Brasil, por volta de 2008, quando ele decidiu trazer apenas o Mac, e acabou descobrindo que foi uma decisão bem relaxante: a máquina hibernava e acordava sem problemas, o WiFi simplesmente funcionava, o áudio não travava, e ele passou 3 semanas sem ter de recompilar o kernel para suportar nada, nem lutar contra os drivers de vídeo ou outros problemas da sua rotina de usuário de Linux em um ThinkPad.

Embora ele sentisse falta de opções de ferramentas e ambiente de usuário do Linux, ele não sentia falta nenhuma de ter de caçar pacotes prontos para a sua distribuição ou encontrar alguém que empacotasse algo pra ele: os binários simplesmente funcionavam.

Quando saiu da Novell, ele devolveu o Mac da empresa, e acabou comprando um MacBook, embora ainda pretendesse continuar usando o Linux em tempo parcial.

Pegando carona num texto recente de Dave Winer contando como migrou do Windows para o Mac que comparou a situação dos usuários de Windows quanto aos vírus em 2005 aos efeitos do acidente nuclear de Chernobyl, Miguel de Icaza disse que para ele o Chernobyl do Linux era a fragmentação do Linux como plataforma, as múltiplas distribuições incompatíveis entre si e as incompatibilidades existentes entre versões da mesma distribuição – opiniões das quais não faltará quem discorde, certamente.

Segundo o seu relato, foi sem notar que ao longo de 2012 ele deixou de ligar o monitor da sua máquina com Linux. Quando se mudou para outro apartamento, em outubro do ano passado, ele nem chegou a ligar a CPU, e até agora não a ligou.

Realidade bem diferente da minha própria, já que continuo usando Linux todos os dias, mas considerando a trajetória e o ponto em que ele foi parar (me chama a atenção que foi no Mac, e não no Windows), me faz refletir sobre vários aspectos.

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