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Dennis Ritchie, 1941 – 2011

Dennis Ritchie, criador da linguagem C (desenvolvida inicialmente por ele entre 1969 e 1973) e co-criador do Unix (juntamente com Ken Thompson) faleceu no último final de semana, após uma longa enfermidade. Ritchie aposentou-se em 2007 como pesquisador na Lucent (então proprietária dos antigos Bell Labs, onde nasceu o Unix), mas permanecia atuando como consultor.

O OS X é um sistema Unix certificado, herdeiro direto da criação original de Ritchie por meio dos projetos Darwin, NeXTSTEP e BSD (entre outros), e assim é simples perceber que devemos muito às ideias originais e ao esforço que Ritchie fez para disseminar a linguagem C e o sistema operacional Unix.

Tive oportunidade de escrever há pouco tempo no developerWorks sobre uma das últimas homenagens recebidas pessoalmente por Ritchie em honra ao seu papel na origem do Unix: o Prêmio Japão, entregue anualmente a pessoas de todas as nacionalidades cujas realizações em ciência e tecnologia sejam reconhecidas como tendo feito avançar as fronteiras do conhecimento e servido à causa da paz e prosperidade para a humanidade.

Segundo a descrição publicada pela fundação japonesa que administra o prêmio, “comparado a outros sistemas operacionais mais conhecidos na época, seu novo e avançado SO era mais simples, mais rápido e apresentava um amigável sistema de arquivos hierárquico”. A fundação também reconhece no UNIX uma das forças que impulsionaram o desenvolvimento da Internet, em grande parte devido ao BSD, a versão expandida que foi desenvolvida no campus de Berkeley da Universidade da Califórnia e que incluía o protocolo TCP/IP, fato que também levou ao surgimento da cultura Open Source.

Descanse em paz, Dennis Ritchie. Suas contribuições para o desenvolvimento da informática e tecnologia frutificaram de maneiras que você acompanhou ao longo de décadas de vida, e ainda por muito tempo seu nome será lembrado e associado a uma obra que certamente mudou o ambiente tecnológico de várias maneiras positivas e duradouras.

Steve Jobs, 1955 – 2011

Faleceu hoje Steve Jobs, co-fundador da Apple e o arquiteto da sua forma atual, com produtos como o iPhone, iPad, MacBook Air e o icônico iPod.

Jobs teve passagens memoráveis por outras áreas – como a estruturação do estúdio de animações Pixar na forma como hoje o conhecemos e a criação do sistema operacional NeXTSTEP, firmemente construído sobre bases em código aberto.

Assim como o NeXTSTEP acabou sendo a base para o Mac OS X, quando Jobs retornou à Apple no final do século XX, todas as ações e ideias de Jobs são percebidas como relacionadas à companhia que ajudou a fundar, em uma garagem, em 1976.

Steve Jobs lutou uma longa batalha contra um câncer no pâncreas diagnosticado em 2004 e que acabou conduzindo ao seu afastamento definitivo da direção executiva da Apple no final de agosto.

Em memória de Jobs, uma citação de um discurso, dirigido aos alunos da universidade de Stanford, proferido por Steve Jobs em 2005:

No one wants to die. Even people who want to go to heaven don’t want to die to get there. And yet death is the destination we all share. No one has ever escaped it. And that is as it should be, because Death is very likely the single best invention of Life. It is Life’s change agent. It clears out the old to make way for the new. Right now the new is you, but someday not too long from now, you will gradually become the old and be cleared away. Sorry to be so dramatic, but it is quite true.

Em tradução livre: “Ninguém quer morrer. Mesmo quem quer ir para o céu não quer morrer antes de chegar lá. Mesmo assim a morte é o destino que todos compartilhamos. Ninguém jamais escapou dela. E é assim que deve ser, porque a Morte é provavelmente a melhor invenção da Vida. Ela é o agente de mudanças da Vida. Ela limpa o velho para abrir caminho para o novo. Agora o novo é você, mas algum dia não muito distante, você gradualmente se tornará velho e será removido. Desculpem por ser tão dramático, mas é bem verdade.”

Descanse em paz, Steve. Você disse que as pessoas precisam morrer para dar espaço ao que é novo, mas sabemos que ainda faltava um bom tempo para chegar a sua vez nessa fila. Por aqui estamos de luto, sabendo que certamente a sua memória viverá – e não apenas nos produtos e inovações que chegaram a nós por meio de suas mãos e de sua direção.


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