Lendo e assinando revistas internacionais no iPad (e iPhone) com o Zinio

Morar no Brasil e ser assinante de revistas internacionais é um desafio constante: além de descobrir como assinar as revistas importadas que você deseja, é preciso se expor aos constantes atrasos na entrega, eventuais exemplares que não chegam, e ao preço escorchante (ou mesmo abusivo, no caso de algumas distribuidoras oportunistas).

Para completar, é comum passar pela suprema humilhação de um assinante: encontrar a revista na banca (bem!) antes de receber em casa seu exemplar. No caso das revistas de assinaturas do exterior isto é até relativamente comum, porque o seu exemplar vem por alguma modalidade econômica dos Correios, e o distribuidor que atende as bancas pode importar em lotes mensais que chegam por vias expressas.

Eu sou assinante de grande número de revistas estrangeiras (de Mac, de Linux, de tecnologia em geral, de software, etc.), mas no caso de várias delas estou na transição das assinaturas em papel para as assinaturas digitais, devido às vantagens abaixo, em ordem de importância:

  • chega na data do lançamento original (na assinatura em papel, as minhas edições de Natal costumam chegar em fevereiro...)
  • zero extravio (com as assinaturas internacionais em papel, até você ter certeza do extravio, solicitar reenvio e recebê-lo, 4 ou 5 meses se passaram)
  • geralmente cada edição está disponível bem antes de você encontrá-la na banca
  • o preço por exemplar é bem mais barato do que o da assinatura internacional em papel.

Existem pelo menos 3 enfoques diferentes para a questão da transição das revistas em papel para um novo modelo digital: o da simples conversão (em que a revista digital é um equivalente, quanto ao conteúdo, do mesmo exemplar em versão impressa), o da "revista virtual" (normalmente comercializada na forma de uma app exclusiva para um título), em que o exemplar digital tem "complementos" como infográficos animados, vídeos e links internos (os quais, francamente, dispenso), e o do que seriam as pós-revistas, formadas dinamicamente por conteúdo agregado de redes sociais ou feeds (como o excelente Flipboard, uma das apps essenciais para iPad).

Mas não vou deixar de ser claro quanto a isso: sou fã das revistas em papel, e ler o seu conteúdo em uma tela é um substituto muito pobre para toda a experiência sensorial de folhear e apreciar um exemplar bem produzido, impresso e encadernado.

Só que se a edição em papel chega irregularmente, sempre atrasada e bem mais cara, ter uma forma alternativa de garantir o acesso (ainda que restrito ao conteúdo) acaba compensando abrir mão dos atrativos adicionais do veículo impresso.

Assinando revistas importadas no iPad e iPhone com o Zinio

Existem várias maneiras de ler e assinar o conteúdo de revistas importadas. Eu já experimentei várias delas, mas para ler no iPad e iPhone a minha simpatia recai sobre a app do Zinio, que recentemente me foi apresentada pelo @heliocastro - que leva revista tão a sério que aderiu ao iPad só para poder resolver os problemas com assinaturas de revistas impressas.

Uma metáfora batida explica bem o que a app do Zinio faz: é uma banca de revistas no seu iPad (ou iPhone). Mas não uma banca qualquer: é como se fosse uma grande banca de aeroporto internacional, ou uma banca cultural daquelas que infelizmente nem toda capital tem, em que se pode encontrar revistas importadas de todos os tipos e sobre os mais variados assuntos: de tricô a charutos, de pesca a videogames retro, de Macs a dragsters.

O acervo do Zinio inclui as edições correntes e as mais recentes das publicações de uma variedade de editoras de diversos países, com muitos títulos em inglês, espanhol e italiano, mas também revistas de países mais distantes, como Vietnã e China.

Pela app do Zinio você pode comprar uma edição específica, ou fazer a assinatura (por períodos de tempo variáveis) de alguma delas para garantir o acesso facilitado (e geralmente com desconto) às próximas edições.

Um ponto interessante a favor do Zinio para iPad é que, assim que você instalar a App e se cadastrar (ou fizer seu login) no sistema, recebe acesso a uma estante de amostras grátis: artigos de edições recentes de revistas em vários idiomas, disponibilizados na íntegra, página por página iguais às versões impressas. No momento em que escrevo, a estante de amostras grátis em inglês conta com 37 artigos, e também há 9 amostras grátis em espanhol, 3 em italiano e uma em alemão.

Mas se os artigos oferecidos como amostras grátis servem para você entender melhor como é a conversão da revista para o formato digital antes de gastar algum dinheiro, na prática continuada o que interessa são as opções de compra de exemplares inteiros, e de assinaturas das revistas.

E o procedimento é bem simples: navega pelas categorias até encontrar a revista desejada (podendo filtrar por idioma), clica na capa da que interessar, e aí aparece um descritivo completo com o preço e duração da assinatura, além das opções de comprar apenas a edição corrente (cuja capa estiver em destaque), ou edições anteriores (as 4 capas mais recentes aparecem no rodapé, e há um link para exemplares mais antigos).

Atualmente o pagamento é via cartão de crédito internacional ou PayPal, mas imagino que em breve os desenvolvedores terão que se submeter à nova política da Apple de que as compras feitas dentro das aplicações precisam ocorrer via sistema de pagamentos da App Store. Enquanto isso não acontece, eu vou comprando via PayPal, e a revista fica disponível para leitura imediata na minha biblioteca do Zinio, tudo dentro da app.

Como o Zinio exibe as revistas no iPad

O Zinio no iPad assume um comportamento familiar para quem já experimentou outras apps de leitura: se você segurar o iPad em pé, ele mostra uma página inteira (para uma revista em tamanho comum, próximo ao formato A4, a redução para a página caber inteira na tela ainda oferecerá resolução suficiente para permitir a leitura com conforto sem usar o zoom). Nota: As imagens abaixo tiveram sua resolução reduzida para caber neste post.

Se segurar o iPad de lado, passará a ver 2 páginas lado a lado (bom para folhear, mas não permite leitura confortável sem recorrer ao zoom):

O zoom funciona com o gesto multitoque comum: belisque a tela com 2 dedos para reduzir a página, mova-os na direção oposta para ampliá-la. Com o arrastar de um dedo você desloca a visão da página, ou avança e retrocede.

Embora a visão da página inteira na tela geralmente tenha definição suficiente para uma leitura confortável, eu geralmente aplico o zoom. Ao contrário das demais imagens deste post, a imagem acima não foi reduzida, e mostra na resolução original a forma como vejo os textos das revistas no iPad

Com o simples toque de um dedo sobre a página, o usuário comanda a exibição dos controles de navegação visíveis na imagem acima: na base, a exibição (clicável e navegável) das páginas anteriores e posteriores à que está sendo exibida, e no topo da tela aparece o botão para retornar à biblioteca do usuário e os 2 botões de controle adicionais - um que leva ao índice da revista (que é clicável, para facilitar chegar a um artigo de interesse), e o outro exibe thumbnails das páginas:

O funcionamento no iPhone é parecido, mas naturalmente as visualizações são adaptadas a uma tela com área menor, como veremos a seguir.

Como o Zinio exibe as revistas no iPhone

No iPhone o funcionamento geral é bastante similar ao do iPad, mas adaptado a uma tela bem menor (ainda que com mais resolução, no caso do iPhone 4).

O esquema básico é como no iPad: aparelho "em pé" exibe uma página inteira, aparelho "de lado" exibe 2 páginas lado a lado (ver imagem reduzida acima). Em ambos os modos, sem usar zoom, só dá para identificar confortavelmente o layout geral, títulos e ilustrações. Mas basta usar o zoom multitoque (como no iPad) para ler confortavelmente, embora vendo só um pedacinho da página por vez. A imagem abaixo foi recortada mas mantida na resolução original do iPhone 4:

O recurso de ver o índice (clicável) e de exibir thumbnails das páginas também funciona, e para algumas páginas com layout simples há um botão especial, que conduz a um modo de visualização especial, que extrai apenas o conteúdo textual. Veja abaixo os 2 modos, lado a lado (reduzidos, naturalmente):

Concluindo

Simplifico a conclusão dizendo que, embora não ache a leitura digital um substituto à altura para as revistas em papel, acho a implementação do Zinio muito próxima do que se pode esperar de melhor deste tipo de substituto: uma soma de um grande acervo, comodidade para assinar e comprar exemplares isolados, e leitura com qualidade.

Se você está procurando assinar uma revista importada, ele pode ser uma boa opção. Sugiro criar sua conta, experimentar a leitura de alguma das amostras grátis, e aí avaliar se ele serve ou não para você!

E guardei um detalhe interessante pro final: o Zinio também tem versão para navegadores e para computadores (Mac, Linux e Windows), e as revistas que você compra no iPad e iPhone podem ser lidas lá também, e vice-versa: veja os detalhes no post-gêmeo que preparei no Efetividade.net.

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