Do Linux para o Mac, 1 ano depois: relato de migração

Como alguém que migrou do Linux para o Mac avalia sua situação após 1 ano da mudança?

Participando há mais de 15 anos da comunidade Linux e há poucos anos no mundo Apple, esta é uma situação que já vi muitas vezes: usuários que passaram de um para o outro. Vários dos autores convidados que já publicaram aqui chegaram a ter trabalhos publicados no meu outro blog (o BR-Linux) em anos anteriores, e vários dos nomes nos comentários daqui eu reconheço de lá.

De vez em quando algum deles compartilha brevemente sua opinião sobre os efeitos da mudança, que é algo que eu não poderia fazer com a mesma propriedade, pois não deixei de usar o Linux.

Mas este relato do Batsov, que conta seu balanço de trocar 8 anos de experiência com o desktop Linux pelo Mac, é interessante porque apresenta um nível de detalhamento incomum, que pode ser útil para quem deseja comparar com suas próprias experiências mas, principalmente, para quem estiver considerando dar o mesmo passo e quiser ter uma ideia do que potencialmente o espera.

Não vou traduzir, e recomendo que você leia o original. Mas seguem alguns aspectos que me chamaram a atenção neste relato de um desenvolvedor, um ano após ter adotado o Mac.

O começo

Os primeiros dias não foram integralmente bons: ele estranhava a mecânica de "instalar" programas simplesmente arrastando-os para a pasta Aplicativos, e sentia falta do sistema de gerenciamento de pacotes que usava no Linux, embora logo tenha encontrado um substituto parcial na forma do homebrew.

Eu, como usuário Linux e Mac, prefiro como alternativa para a mesma função o brasileiro Rudix, que aproxima muitos pacotes que eu uso no Linux à forma de instalar softwares no Mac. E se fosse usar algo no estilo "gerenciador de pacotes", preferiria o MacPorts, que tem laços fortes com o desenvolvimento do Darwin, participação direta da Apple e de uma figura que eu admiro especialmente: Jordan K. Hubbard, que é co-fundador do FreeBSD (onde também fundou a coleção de ports). Mas quando se trata desta categoria de utilitário, há bastante amplitude de atuação das preferências de cada um...

Voltando ao relato, já nos primeiros dias alguns pontos positivos também lhe interessaram: a qualidade e responsividade do desktop, o fato de os atalhos de teclado do Emacs estarem presentes por todo o sistema, e a velocidade e amplitude das buscas com o Spotlight, que ele comparou com os equivalentes que usava no Linux.

Para as atividades no shell ele preferiu instalar o iterm2 (a mim o Terminal default satisfaz), e ficou satisfeito ao perceber que boa parte do que estava acostumado a usar no Linux já vem instalado no ambiente do Mac (incluindo zsh e PostgreSQL, ele destaca, embora o segundo venha por default apenas na versão servidor). Fora do Terminal, os aplicativos Keynote e Pages foram vistos por ele como um avanço em relação ao que obtinha anteriormente do OpenOffice.

Ele também sofreu para se acostumar com a ausência de uma tecla Control no lado direito da barra de espaços, para complementar a que vem ao lado da tecla Option esquerda (situação comum a vários MacBooks e ao teclado sem fio da Apple, mas que não ocorre no teclado full size da Apple que eu prefiro usar), mas se impressionou com os gestos no Trackpad mesmo sendo um usuário que prefere o teclado.

Os pontos positivos

Entre os pontos positivos destacados, o primeiro é o desktop em si: bonito, rápido, estável, belas fontes. Ele também destaca aplicativos como o Sparrow, Keynote, iTerm2, Parallels.

Uma vantagem inerente também foi mencionada: a compatibilidade que nasce da integração entre o projeto do hardware e o desenvolvimento do sistema operacional. A experiência dele com gerenciamento de energia (hibernar, acordar, a própria duração da bateria) foi mencionada como exemplo.

Ele também aponta a estabilidade: "só 2 ou 3 travamentos" em 1 ano, em 3 Macs, para um desenvolvedor que gosta de mexer nas configurações.

Alguns aspectos também foram apresentados como positivos, mas com menos destaque e entusiasmo: o conjunto default de apps, a Mac App Store, a versão default do Emacs incluída no sistema, o ambiente para desenvolvedores de software, e a forma como o sistema é administrado.

Os pontos negativos

Ele detesta com fervor os atalhos de teclado baseados em ⌘ e Option, e lamenta não haver uma segunda tecla Control no seu teclado, que faz falta especialmente a usuários do Emacs. É possível reverter isso usando uma opção do iTerm, mas se for o seu caso também, fique atento à dica para alterar diretamente no OS X: nas Preferências do Sistema | Teclado você pode inverter as teclas Option e Command, bastando selecionar as opções mostradas abaixo:

Ele também detesta a ausência de gerenciadores de pacotes como o aptitude, yum, portage e pacman, embora considere o homebrew para Mac uma alternativa "decente".

Outros 2 pontos negativos mencionados são a necessidade que ele encontra de editar arquivos XML de configuração, e ter precisado instalar o XCode inteiro mesmo querendo ter acesso só às suas ferramentas de linha de comando – embora essa situação já esteja resolvida e hoje se possa instalar só elas, se desejado.

Concluindo

Não é porque eu discordei ou fiz observações sobre alguns dos pontos do relato que eu os considero errados: são as impressões do autor, e o que cabe a ele é descrever o que percebeu e viveu, mesmo nos casos em que os problemas tinham solução.

Há outros pontos em que a experiência dele não corresponde à minha, mas há vários pontos de contato também – só que ele se deu ao trabalho de relatar, e assim o ponto de vista dele pode servir para que você mapeie aspectos que gostaria de verificar antes de experimentar migração similar.

Quero destacar um aspecto: ele abre a conclusão afirmando que é um usuário mais feliz agora que não usa mais o desktop Linux, e isso não significa que o Linux seja um sistema operacional pior, mas sim que para ele a experiência no desktop do Mac é superior.

Ele também diz que não ter de lidar com incompatibilidade de hardware e com aplicativos imaturos mais do que compensa eventuais limitações que percebe no OS X, mas nada compensa a ausência de uma segunda tecla Control no seu teclado ツ

Veja o texto completo em From Linux to OSX - 1 Year Later, de Bozhidar Batsov.

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