Não foi dessa vez, mas o iWatch vem aí

Não é segredo para ninguém que bastante gente usa e gosta do iPod nano (sim, é em minúsculas) no papel de relógio. Mesmo sendo meio grande (ou "um batatão", como se diz), com o acessório certo ele se transforma em um competente aparelho de pulso: eu tenho uma pulseira LunaTik e, embora não use relógio de pulso no dia-a-dia, ela geralmente é o que facilita o meu uso do nano em situações nas quais o iPhone não é a melhor escolha para tocar música ou ouvir um podcast.

Ao contrário de outras tendências criadas externamente e que a Apple finge ignorar, essa é uma que ela reconheceu publicamente, e na atualização do nano em 2011, deu destaque a várias opções alternativas para exibição das horas – afinal, esta é a função essencial de um relógio de pulso, não?

Embora o tamanho do nano lançado em 2011 estivesse próximo do ideal para a tarefa, faltavam algumas características adicionais interessantes, incluindo o suporte a Bluetooth (para compatibilidade com fones de ouvido, acessórios esportivos como sensores cardíacos e até para interagir com um iPhone dentro da sua mochila), recursos para atletas (pedômetro e similares, idealmente com capacidade de acompanhar distâncias e ritmos) e, se possível, um tamanho um pouco menor – ou como no design acima, imaginado pelo estúdio italiano ADR.

No evento de quarta-feira, havia alguma expectativa (não só minha) de que os iPods seriam atualizados (e foram), e uma das minhas curiosidades era ver de que forma a Apple aproximaria o nano dessa demanda (expressa não apenas em pulseiras como a LunaTik, mas também no sucesso das encomendas do Pebble, no Motoactv e na nova linha Casio G-Shock).

E a Apple me surpreendeu ao ir na direção contrária: atualizou sim o nano, apresentou uma bela nova versão mas... é de um tamanho que lembra mais um cartão de crédito ou uma embalagem de chiclete, afastando-se assim dos pulsos.

O aumento nas dimensões é compensado pelos novos recursos: vídeo, suporte a Bluetooth, pedômetro embutido (e capacidade de conectar via Bluetooth a sensores esportivos externos), e até rádio FM – de modo geral, preenchendo as lacunas necessárias para o "relógio esportivo" que eu tinha em mente, exceto por não ser mais algo que possa ser facilmente usado como um relógio.

A minha primeira reação foi pensar "que oportunidade perdida", mais ou menos na linha desta análise da Time.

Logo em seguida veio a percepção: a Apple já mostrou que está atenta ao uso dos nanos anteriores como aparelhos de pulso. Como ela não atualizou o shuffle (seu outro iPod minúsculo) e moveu o nano em outra direção, para mim (em oposição ao que pensa a NBC) isso significa que ela tem alguma outra ideia em andamento para oferecer aos nossos pulsos, e ou não está pronta para levá-la ao mercado, ou preferiu aguardar outra oportunidade melhor.

Em ambos os casos, isso significa um reforço no meu palpite de que o iWatch (com um nome melhor que este, acredito) deve estar a caminho, embora talvez não com muita pressa. E, ao menos por mim, será bem-vindo!

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