Sparrow e Skitch: o que fazer com 2 apps que se recusam a ir embora?

Torço para que as (mais ou menos) boas notícias vindas ontem de ambas as direções indiquem uma tendência oposta às más notícias de 2012, mas ainda não parei de procurar sucessores para o Sparrow e o Skitch.

O cliente de e-mail Sparrow e o editor gráfico Skitch são aplicativos que faziam parte da minha rotina de trabalho diária e foram recomendados por aqui mais de uma vez, e ambos passaram por uma mesma situação: as empresas que os mantinham foram adquiridas por outras maiores: o Google e a Evernote.

Ambos tinham destaque por alcançar grande eficiência em nichos bastante especializados: o primeiro na manipulação diária de caixas movimentadas do Gmail, e o segundo na anotação de imagens: aquelas setas e legendas que usamos quando a nossa imagem não vale mais do que mil palavras.

O longo adeus

Quando o Google comprou o Sparrow, em julho, o interesse da empresa não era o app, e na mesma data foi anunciado: os apps do Sparrow não mais receberiam novos recursos.

Parecia uma nota de falecimento, e em vários sentidos foi mesmo fúnebre (exceto pela reencarnação do "jeito Sparrow de ser" que já começa a aparecer na interface web do próprio Gmail), mas a morte mesmo ainda não houve: em agosto saiu uma atualização da versão para iPhone trazendo um novo recurso que interessava ao Google (a possibilidade de abrir links no Chrome), e ontem saiu outra que acrescenta suporte ao iPhone 5 e ao recurso Passbook do iOS.

Com o Skitch a história é diferente: a Evernote adquiriu o Skitch em agosto de 2011, e desde então vinha fazendo bem a ele, integrando-o aos seus serviços, acrescentando versões para mais plataformas, etc.

Aí em setembro de 2012 subitamente a história mudou: a versão para Mac, que antes da aquisição era a única, recebeu uma atualização que não merecia ser chamada de upgrade, pois removia diversos dos recursos que o tornavam especialmente versátil e útil: a possibilidade de enviar as imagens a um servidor à escolha do usuário, o fim do serviço Skitch.com para quem não tem seu próprio servidor para armazenar as imagens, e até o corte de recursos básicos como redimensionamentos, zooms, seleção do formato de arquivo na hora de gravar e mais.

Foi bem mais traumático do que simplesmente deixar de manter a aplicação (destino anunciado para o Sparrow): a empresa foi lá e intencionalmente reduziu suas funcionalidades.

A reação dos usuários também foi bem mais intensa, incluindo artigos na imprensa e até guias de como evitar que a App Store permanecesse oferecendo o "upgrade" no seu Mac.

A Evernote não demorou a voltar atrás com uma atualização tímida que reativava parte dos recursos removidos, e ontem anunciou um passo a mais: o plano de reativar vários dos outros recursos removidos, incluindo os que mais parecem redundantes em relação ao negócio da empresa: a possibilidade de enviar a imagem a um servidor à escolha do usuário, de criar uma URL de compartilhamento e de contar com uma opção própria de armazenamento online.

Vigília fúnebre

Na nota em que anuncia o plano de retorno dos recursos, a Evernote também menciona 2 elementos essenciais: a reação negativa dos usuários mais antigos e leais da ferramenta, e o quanto nossos fluxos de trabalho se tornam dependentes das nossas melhores ferramentas, a ponto de serem afetados até por pequenas mudanças nelas (não que esta tenha sido pequena).

O mesmo vale para o Sparrow, mas neste caso o Google tomou uma decisão diferente que reduz a reação negativa: ao invés de cortar a ferramenta ativamente, aparentemente vai deixá-la ir escorregando para a irrelevância, até mesmo no iPhone, onde as atualizações são poucas e lentas. Tudo isso contando com a tendência natural que, dado tempo suficiente, faz surgir alternativas e o interesse dos usuários em adotá-las.

Mas uma coisa não muda: em ambos os casos, a tomada de decisão sobre o destino do app passou das mãos de um desenvolvedor cujo interesse era fortalecer o próprio software, para uma empresa que tem o software como meio de fortalecer algum outro serviço seu, que de certa forma é concorrente ou redundante em relação ao app original.

Tendo acompanhado (como usuário) várias situações similares, em várias plataformas e décadas, já tive minha cota de desapontamentos, e minha decisão já está tomada: desta vez não vou ficar esperando o apagar definitivo das luzes, e já estou em busca de sucessores para ambos os apps.

Aos leitores, recomendo uma escolha consciente: ou a conclusão de que o rumo tomado pelas empresas em questão irá produzir frutos que o atendam (e não considero impossível), ou a busca ativa por alternativas, que não devem tardar.

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